A saga «Velocidade Furiosa», iniciada em 2001, nasceu com objectivos muito claros. Primeiro era destinada aos amantes da velocidade, explorando muito a cultura do tuning e dos gadgets automóveis. Paralelamente era uma saga profundamente estilizada, corrida a esteróides e sem limites na velocidade cénica. Para dar coerência às personagens, e torná-las credíveis num universo estilizado e muito em estilo «videojogo», optou-se por actores fortes. Vin Diesel não era nenhum desconhecido, mas muita da sua fama começou aqui, transferindo-se mais tarde para «xXx». Já Paul Walker era um pretty boy, que provou também conseguir triunfar no cinema de acção, dentro ou fora desta fórmula.
Com um público masculino e jovem como alvo, era natural que tivessem de existir mulheres bonitas e sexys. Naturalmente que não seria necessário elas serem fortes em termos de personalidade, mas optou-se por torná-las assim. Aqui não há Cameron Diaz em «Knight and Day» ou Katherine Heigl em «Killers». As mulheres deste franchise estão ao nível dos homens, e têm sempre uma palavra a dizer, e não correm desalmadas de forma histérica.
Para completar a abrangência de público, foram sempre visíveis actores de diversas etnias. De louros de olhos azuis, a negros, passando por asiáticos e hispânicos, o filme funcionou mais como um conceito de família, sem nunca olhar a isso.
No quarto e, especialmente, no quinto episódio da saga, denota-se que «Velocidade Furiosa» quer ser muito mais que um filme de acção entregue à velocidade., havendo nitidamente uma transição para o cinema dos grandes golpes, os ditos heist movies.
E apesar de todos os clichés e atitudes «cromas» das personagens, é fácil definir este como o melhor filme do franchise, pois para além de ter a tal loucura pela velocidade, o filme atinge uma certa maturidade e o cérebro do cinema «heist», mantendo constantemente a genica das obras de acção desenfreada e o tom familiar que já conhecíamos.
Para ajudar, são introduzidas novas personagens, que ainda mais força e engenho dão a todo um contexto - ainda que estejamos perante uma história «padrão». Vin Diesel e Paul Walker encontram-se em apuros com um barão do crime (Joaquim de Almeida) que basicamente controla tudo no Rio de Janeiro – desde as favelas até à polícia. Pelo meio, há um agente da lei (The Rock) que tenta travar Diesel, mas que se vê envolvido num triângulo criminal.
E assim vamos assistindo a uma fita que transita entre géneros com pouca subtileza mas muita eficácia. Uma nota para o trabalho nas sequências de acção de Justin Lin. Apesar de muitas vezes o seu trabalho fazer lembrar Michael Bay, há sempre um ponto distinto que nunca faz o filme saltar do penhasco do incredível para o da pura fantasia pirotécnica (Bay cai muitas vezes nisto).
Por isso, «Velocidade Furiosa 5» é um trabalho a não perder pelos fãs do cinema de acção musculada, repleta de sentimentos básicos mas muita adrenalina e humor. E no que toca a este último ponto, realce para a equipa de secundários, que nos seus jeitos por «default» lá nos vai fazendo rir uma, duas, três, mais vezes…
O Verão cinematográfico começou oficialmente…
O Melhor: Hollywood devia aprender com «Velocidade Furiosa» como se faz um reboot mantendo as raízes e os pilares que levaram até um quinto filme.
O Pior: A falta de subtileza irrita, mas até gostamos da surpresa que o fim reserva
A Base: Apesar de todos os clichés e atitudes « cromas» das personagens, é fácil definir este filme como o melhor do franchise...7/10
Jorge Pereira
Fonte:c7nema

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