Um final com sabor amargo.
(Esta crítica contém spoilers)
Há momentos capazes de destruir um trabalho competente. Lembra-te de Mim sofre desse mal, graças a uma escolha que tem tanto de arrojado como de fácil (e até oportunista). Mas já lá vamos. Antes temos Robert Pattison, o actor feito estrela graças a uma saga de vampiros meiguinhos: Twilight.
Nos últimos dois anos a fama de Edward Cullen, perdão, Robert Pattison atingiu níveis de histeria global. Com o nome reconhecido bem antes de ter provado que era um actor relevante, Pattison ter-se-á preocupado em mostrar que é mais do que o rapaz de Twilight.

E assim chegamos a este Lembra-te de Mim, um drama romântico com um papel que não é inocente – e não é por acaso que Pattison também é um dos produtores do filme. Vejamos: Tyler, a personagem de Robert, é um rapaz nova-iorquino que não sabe o quer da vida. O pai é um advogado famoso, o irmão suicidou-se com 22 anos (Tyler está prestes a fazer 22 anos) e ele parece apenas interessado nos livros e no percurso da irmã mais nova – a sua principal preocupação.
Rapaz giro, com bom discurso e ar despreocupado. E com isto temos uma versão comedida (de bicicleta, acrescente-se) de um James Dean ou de um Marlon Brando novo. Este Tyler é o típico rebel without a cause. Depois Ally (Emilie de Ravin) entra na sua vida com uma desculpa barata e somos lançados para um filme que tem algumas ambições, que é bem trabalhado tecnicamente e onde se nota a tentativa (por vezes infrutífera) de evitar a proliferação de clichés.
A favor de Pattison podemos dizer que o filme desilude apesar da entrega do actor. Poderíamos ter aqui um drama interessante sobre relações familiares e amorosas; até sobre a descoberta de um rumo por parte do tal rebelde sem causa. Mas um espectador mais atento perceberá o perigo que se avizinha. E agora não evitamos os spoilers. O filme começa com um assassinato em 1991, em Nova Iorque. Depois somos lançados dez anos no futuro. 2001. Nova Iorque. Lembra alguma coisa? Infelizmente, sim.No momento em que o filme se podia encerrar, calma e dignamente, somos lançados para um climax final em que o ataque às Torres Gémeas serve de desculpa para mostrar que o destino nos prega partidas. A opção fácil de invocar um acontecimento histórico recente, que emociona o espectador, acaba por ser um tiro no pé, destruindo o que se construiu anteriormente. Até só restar uma certa sensação de oportunismo. E até de mau gosto.
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